Duplicidade é um thriller criminal contado a partir do ponto de vista do criminoso. Aqui, o herói não investiga, não persegue a justiça nem procura redenção. Age. Decide. Calcula. E justifica-se.
A narrativa acompanha uma mente que opera na sombra, construída sobre camadas sucessivas de identidades, escolhas estratégicas e mentiras funcionais. O crime não surge como explosão impulsiva, mas como processo racional, quase metódico, onde cada gesto é ponderado e cada risco aceite como parte do jogo.
Ao colocar o leitor dentro da lógica do criminoso, o romance desmonta as fronteiras confortáveis entre bem e mal, empatia e repulsa. A tensão nasce menos da ação exterior e mais do confronto psicológico: o medo de falhar, a necessidade de controlo, a gestão da culpa e o prazer silencioso da eficácia.
Com uma escrita direta e precisa, Duplicidade constrói um retrato inquietante da duplicação constante entre aparência e verdade, entre o que se mostra e o que se esconde. O leitor é arrastado para uma posição incómoda, forçado a acompanhar, compreender e, por momentos, partilhar o ponto de vista de quem comete o crime.
Duplicidade é um thriller que recusa moralismos fáceis e finais tranquilizadores. Um romance sobre identidade, poder e transgressão, onde o maior perigo não está no ato criminoso, mas na lucidez de quem o executa.
